Jorge Russo
Escola Naval, Centro de Investigação Naval, Department Member
- Associate researcher at CINAV - Navy Research Centre MA Maritime History Student at Faculdade de Letras, Universidade... moreAssociate researcher at CINAV - Navy Research Centre
MA Maritime History Student at Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa/Escola Naval, Lisbon
Graduate in History at Universidade Aberta (UAb), Lisbonedit
Durante a primeira metade do século XX, a pesca da sardinha ob- servou transformações profundas que moldaram o que é hoje. Es- tas, verificaram-se predominantemente ao nível das introduções de novas artes de pesca, que representaram... more
Durante a primeira metade do século XX, a pesca da sardinha ob- servou transformações profundas que moldaram o que é hoje. Es- tas, verificaram-se predominantemente ao nível das introduções de novas artes de pesca, que representaram "transferências tecno- lógicas", uma delas, exógena ao território nacional.
Em 1890, a introdução de uma nova armação da sardinha, do tipo à valenciana, implicaria a extinção das do tipo redondo. As armações à valenciana, de maior dimensão, mais resistentes, pescando mais meses do ano, incrementaram logo na primeira década do século XX, o produto da pesca da sardinha. Em 1913, nova introdução, as traineiras, redes de cercar para bordo provenientes de Vigo, trouxe- ram outra tecnologia e o produto obtido com a sardinha aumentou significativamente. A motorização destas embarcações, catapultou a captura da sardinha para totais nunca antes atingidos, e, provo- cou a extinção paulatina das armações à valenciana e do sistema fixo por armações, em Peniche. O incremento do número de trai- neiras foi uma constante, e esse aumento ditou o das capturas, até à crise da sardinha das décadas de 30 e 40. Apenas o recurso à captura de outros pelágicos permitiu que o produto gerado pelas traineiras não só não diminuísse, como registasse uma tendência de ligeira subida.
Por fim, a motorização ficou completa, o remo e a vela desaparece- ram da pesca da sardinha, assim como as artes fixas, pescando-se sardinha em 1950 exclusivamente através das artes móveis de cer- car para bordo, as traineiras.
Foi esta “Onda de Progresso” que o mar de Peniche registou e que analisaremos detalhadamente.
Em 1890, a introdução de uma nova armação da sardinha, do tipo à valenciana, implicaria a extinção das do tipo redondo. As armações à valenciana, de maior dimensão, mais resistentes, pescando mais meses do ano, incrementaram logo na primeira década do século XX, o produto da pesca da sardinha. Em 1913, nova introdução, as traineiras, redes de cercar para bordo provenientes de Vigo, trouxe- ram outra tecnologia e o produto obtido com a sardinha aumentou significativamente. A motorização destas embarcações, catapultou a captura da sardinha para totais nunca antes atingidos, e, provo- cou a extinção paulatina das armações à valenciana e do sistema fixo por armações, em Peniche. O incremento do número de trai- neiras foi uma constante, e esse aumento ditou o das capturas, até à crise da sardinha das décadas de 30 e 40. Apenas o recurso à captura de outros pelágicos permitiu que o produto gerado pelas traineiras não só não diminuísse, como registasse uma tendência de ligeira subida.
Por fim, a motorização ficou completa, o remo e a vela desaparece- ram da pesca da sardinha, assim como as artes fixas, pescando-se sardinha em 1950 exclusivamente através das artes móveis de cer- car para bordo, as traineiras.
Foi esta “Onda de Progresso” que o mar de Peniche registou e que analisaremos detalhadamente.
Research Interests:
A Estória do vapor Inglês “Dago”, afundado por um avião Alemão na Segunda Grande Guerra, ficou gravada indelevelmente na memória coletiva das gentes de Peniche. A indústria local de mergulho e os pescadores referiam-se a um destroço,... more
A Estória do vapor Inglês “Dago”, afundado por um avião Alemão na
Segunda Grande Guerra, ficou gravada indelevelmente na memória
coletiva das gentes de Peniche.
A indústria local de mergulho e os pescadores referiam-se a um
destroço, atribuindo-o àquele mesmo ”Dago”. No entanto, sabia-se
que apenas a cerca de quinhentos metros deste, repousava outro
destroço.
Foi neste contexto que nos interessámos pelo episódio, que nos
colocou perante três problemas fundamentais: que navio era este e
que avião Alemão tinha sido aquele? qual dos destroços, se algum
deles, corresponderia ao “Dago”? e a que metodologia recorrer para
comprovar ou descartar esta correspondência, atendendo ao facto
de ambos os destroços se encontrarem a -50 metros de profundidade,
não acreditando nós na adequação das metodologias arqueográficas tradicionais àquela profundidade.
No decurso do processo de resposta a estes três problemas, colocaram-se-nos duas questões: saber que impacto teve este episódio
no plano de um Portugal Neutral e da sua diplomacia e política
externa? e, que relação espacial teve este ataque e afundamento
relativamente ao Mar Territorial Nacional de então?
No presente artigo, propomo-nos responder aqueles três problemas,
e enunciar, refletindo e discutindo, estas duas últimas questões.
Segunda Grande Guerra, ficou gravada indelevelmente na memória
coletiva das gentes de Peniche.
A indústria local de mergulho e os pescadores referiam-se a um
destroço, atribuindo-o àquele mesmo ”Dago”. No entanto, sabia-se
que apenas a cerca de quinhentos metros deste, repousava outro
destroço.
Foi neste contexto que nos interessámos pelo episódio, que nos
colocou perante três problemas fundamentais: que navio era este e
que avião Alemão tinha sido aquele? qual dos destroços, se algum
deles, corresponderia ao “Dago”? e a que metodologia recorrer para
comprovar ou descartar esta correspondência, atendendo ao facto
de ambos os destroços se encontrarem a -50 metros de profundidade,
não acreditando nós na adequação das metodologias arqueográficas tradicionais àquela profundidade.
No decurso do processo de resposta a estes três problemas, colocaram-se-nos duas questões: saber que impacto teve este episódio
no plano de um Portugal Neutral e da sua diplomacia e política
externa? e, que relação espacial teve este ataque e afundamento
relativamente ao Mar Territorial Nacional de então?
No presente artigo, propomo-nos responder aqueles três problemas,
e enunciar, refletindo e discutindo, estas duas últimas questões.
"On March 15th, 1942, the British Steamer SS Dago was bombed and sunk by a German Focke-wulf 200 Condor off Peniche-Portugal. The presence of two wrecks, -50 meters deep, both corresponding to steamships, in the area indicated by the... more
"On March 15th, 1942, the British Steamer SS Dago was bombed and sunk by a German Focke-wulf 200 Condor off Peniche-Portugal.
The presence of two wrecks, -50 meters deep, both corresponding to steamships, in the area indicated by the ship’s first officer for the sinking, raised a methodological correspondence wreck-ship problem. Indeed, given the chronology of the ship and the depth, it was necessary to develop and test a methodology for that kind of correlation, in order to answer about which wreck correspond to the SS Dago, if any of them.
Therefore, we used the propulsion steam technical elements as potential chronological markers, and elected, in situ identified and compared remarkable structural features between both wrecks and the technical primary sources of the ship.
With this methodology it was possible to determine, about 70 years after the attack and sinking, that one of these wrecks effectively corresponded to the SS Dago."
The presence of two wrecks, -50 meters deep, both corresponding to steamships, in the area indicated by the ship’s first officer for the sinking, raised a methodological correspondence wreck-ship problem. Indeed, given the chronology of the ship and the depth, it was necessary to develop and test a methodology for that kind of correlation, in order to answer about which wreck correspond to the SS Dago, if any of them.
Therefore, we used the propulsion steam technical elements as potential chronological markers, and elected, in situ identified and compared remarkable structural features between both wrecks and the technical primary sources of the ship.
With this methodology it was possible to determine, about 70 years after the attack and sinking, that one of these wrecks effectively corresponded to the SS Dago."
"A Estória do vapor Inglês “Dago”, afundado por um avião Alemão na Segunda Grande Guerra, ficou gravada indelevelmente na memória coletiva das gentes de Peniche. A indústria local de mergulho e os pescadores referiam-se a um destroço,... more
"A Estória do vapor Inglês “Dago”, afundado por um avião Alemão na Segunda Grande Guerra, ficou gravada indelevelmente na memória coletiva das gentes de Peniche.
A indústria local de mergulho e os pescadores referiam-se a um destroço, atribuindo-o àquele mesmo ”Dago”. No entanto, sabia-se que apenas a cerca de quinhentos metros deste, repousava outro destroço.
Foi neste contexto que nos interessámos pelo episódio, que nos colocou perante três problemas fundamentais: que navio era este e que avião Alemão tinha sido aquele? qual dos destroços, se algum deles, corresponderia ao “Dago”? e a que metodologia recorrer para comprovar ou descartar esta correspondência, atendendo ao facto de ambos os destroços se encontrarem a -50 metros de profundidade, não acreditando nós na adequação das metodologias arqueográficas tradicionais àquela profundidade.
No decurso do processo de resposta a estes três problemas, colocaram-se-nos duas questões: saber que impacto teve este episódio no plano de um Portugal Neutral e da sua diplomacia e política externa? e, que relação espacial teve este ataque e afundamento relativamente ao Mar Territorial Nacional de então?
No presente artigo, propomo-nos responder aqueles três problemas, e enunciar, refletindo e discutindo, estas duas últimas questões."
A indústria local de mergulho e os pescadores referiam-se a um destroço, atribuindo-o àquele mesmo ”Dago”. No entanto, sabia-se que apenas a cerca de quinhentos metros deste, repousava outro destroço.
Foi neste contexto que nos interessámos pelo episódio, que nos colocou perante três problemas fundamentais: que navio era este e que avião Alemão tinha sido aquele? qual dos destroços, se algum deles, corresponderia ao “Dago”? e a que metodologia recorrer para comprovar ou descartar esta correspondência, atendendo ao facto de ambos os destroços se encontrarem a -50 metros de profundidade, não acreditando nós na adequação das metodologias arqueográficas tradicionais àquela profundidade.
No decurso do processo de resposta a estes três problemas, colocaram-se-nos duas questões: saber que impacto teve este episódio no plano de um Portugal Neutral e da sua diplomacia e política externa? e, que relação espacial teve este ataque e afundamento relativamente ao Mar Territorial Nacional de então?
No presente artigo, propomo-nos responder aqueles três problemas, e enunciar, refletindo e discutindo, estas duas últimas questões."
